Levanto os meus olhos para os montes: de onde me virá o socorro? O meu socorro vem do Senhor, que fez o céu e a terra.
Salmo 121:1–2
Primeiro, levanta os olhos
O aperto tem uma postura. Queixo em baixo, ombros enrolados, olhos presos aos quinze centímetros à frente da cara — um ecrã, uma conta para pagar, o mesmo parágrafo do mesmo pensamento aflito. O problema enche-te o campo de visão inteiro porque encolheste o campo de visão até ao tamanho exato do problema.
O salmista começa num sítio estranho: não com uma resposta, mas com um movimento de pescoço. Levanto os meus olhos. Depois, só depois, a pergunta — de onde me virá o socorro? A ordem é o truque todo. Ele não resolve as coisas para depois olhar para cima. Olha para cima, e a pergunta torna-se possível. A atenção vem primeiro. O socorro entra por uma porta para a qual tens de estar virado.
Não precisas de acreditar em nada para testar isto. Vai até uma janela. Procura a coisa mais distante que consigas ver — uma serra, um telhado, o fundo da rua — e deixa os olhos descansar lá um minuto. Repara no que a distância faz à cabeça: as coisas recuperam o tamanho real. O salmista diz que o socorro vem de quem fez aquilo para que estás a olhar. Começa onde ele começou. Levanta os olhos antes de perguntar.
Qual é a coisa mais distante para que olhaste hoje?
Não sei de onde vem o socorro, mas levanto os olhos na mesma.