Figuras
Santos e testemunhas do silêncio — pessoas que souberam parar, e o que fizeram com esse silêncio. Os nomes ligados a partir dos ensaios chegam aqui.
Agostinho de HiponaPassou trinta anos inquieto antes de conseguir escrever a frase que toda a gente cita.
Antão, o GrandeDeu tudo e fechou a porta durante vinte anos para descobrir o que sobrava dele.
Bento de NúrsiaEscreveu a regra que transformou o próprio dia numa forma de oração.
Carlo AcutisTodos nascem como originais, dizia ele, mas muitos morrem como fotocópias. Ele morreu original, aos quinze anos.
Faustina KowalskaEncheu seis cadernos nos minutos que ninguém queria e depois reduziu tudo a cinco palavras.
Francisco de AssisToda a gente se lembra dos pássaros; quase ninguém, de que ele fez uma escala de turnos para o silêncio.
Inácio de LoiolaTransformou o fim do dia em quinze minutos a olhar com honestidade para onde foi parar a tua atenção.
João da CruzDeu nome ao troço em que a oração deixa de resultar e defendeu que isso não era razão para parar.
Jorge de LidaUm nome, uma data e uma sepultura: o resto pô-lo lá gente incapaz de deixar o vazio em paz.
Juliana de NorwichMandou emparedar-se num quarto para o resto da vida e usou a janela para se tornar a pessoa com quem toda a Norwich queria falar.
Serafim de SarovNão disse nada durante três anos e depois passou a última década a chamar minha alegria a cada desconhecido.
Teresa de ÁvilaDefiniu a oração como estar a sós com quem sabes que te ama e depois admitiu que a aborreceu durante dezoito anos.
Teresa de CalcutáRezou cinquenta anos dentro do silêncio e quase não contou a ninguém.
Teresa de LisieuxMorreu aos vinte e quatro num convento de província, depois de reduzir toda a vida espiritual a algo que se tenta numa tarde má.
Tomé, o ApóstoloRecusou-se a aceitar a maior afirmação de sempre só porque outro lha contou.